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Publicada dia 10/03/2010 às 11:35:40hs
Com apoio do Planalto, base articula legalização dos bingos
Líderes decidem se colocam projeto que libera os jogos de azar entre as prioridades da Câmara
Das Agências

Três anos após o fechamento das últimas casas de jogos no país, a Câmara dos Deputados articula a retomada neste semestre da votação da proposta que legaliza os bingos, videobingos e videoloterias no Brasil. A decisão de levar o Projeto de Lei 2.257/07 ao plenário pode ser tomada nessa semana, quando os líderes partidários se reúnem para decidir as prioridades para os próximos meses. A matéria conta com o apoio da maioria da base governista.

Na semana passada, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-RS), defendeu o texto e disse que pretendia convencer mais colegas a aprová-lo. Em fevereiro, o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), já havia defendido que a Casa não poderia evitar o tema, por mais polêmica que ele envolva. Nos bastidores, o principal obstáculo para o reinício da discussão é a falta de consenso sobre o impacto eleitoral da matéria.

“Os deputados que são contra estão diminuindo porque o projeto está bem redondo”, diz o relator da proposta, Régis de Oliveira (PSC-SP). Na última etapa de tramitação, em setembro de 2009, o texto foi aprovado por 40 votos a 7 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os votos contrários foram liderados pelos petistas Antonio Carlos Biscaia (RJ) e José Eduardo Cardozo (SP) e por setores da bancada evangélica.

“Há certa pressão, principalmente por parte dos religiosos, mas se os líderes decidirem colocar em pauta, o texto vai ser aprovado. E eu diria que até bem facilmente”, ressalta Oliveira. Entre outras regras, o projeto prevê uma série de restrições às novas casas de jogo. Proíbe, por exemplo, a criação de estabelecimentos a uma distância inferior a 500 metros de escolas e igrejas. Além disso, assegura a cobrança de royalties destinados a investimentos públicos em saúde, cultura, esportes e segurança pública (leia mais no quadro ao lado).

A possibilidade de aumentar a arrecadação de impostos criou simpatia à proposta dentro do governo. A expectativa é de que o volume de tributos pagos pelo setor chegue a R$ 6,5 bilhões ao ano. Além disso, a Força Sindical (um dos padrinhos mais fortes do texto) estima a criação de pelo menos 250 mil novos postos de trabalho.

“Eu diria que o governo não tem nada contra o projeto e até tem torcido discretamente pela aprovação”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), Olavo Sales de Oliveira. Ele próprio, entretanto, não acredita que os líderes aceitarão colocar o tema em votação. “Todo mundo é simpático à ideia, mas ninguém assume a responsabilidade para si.”

Oliveira disse que outras propostas prontas para serem apreciadas em plenário teriam mais impacto no eleitorado, como a que amplia a licença-maternidade de 120 para 180 dias e a que aumenta o piso salarial dos policiais militares para R$ 3,5 mil, que já começou a ser votada na semana passada. Além disso, há o histórico de os bingos serem ligados à lavagem de dinheiro.

Nessa linha, as críticas mais duras ao projeto têm sido feitas pelo deputado José Eduardo Cardozo. Segundo ele, só será possível coibir a lavagem de dinheiro com a divulgação dos ganhadores e respectivos números no Cadastro de Pessoas Físicas na internet – dispositivo que não está contemplado no texto. Apesar do posicionamento duro de Cardozo e de Biscaia, petistas históricos como o deputado José Genoino (SP) tem engrossado o grupo a favor da legalização.

Entre os deputados do PT que mudaram recentemente de lado está o paranaense Dr. Rosinha. Ele disse que a proposta mudou de figura a partir do momento em que ficou definido que as apostas serão monitoradas diretamente pela Receita Federal.

“Com todo esse controle, não há porque votar contra. Aí acaba a lavanderia de dinheiro, o incentivo à criminalidade”, explica Rosinha.

 

   
 
 
 
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