Ano XIV | Nº 1726
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Publicada dia 05/02/2010 às 09:20:36hs
Governador Requião dá entrevista à Tribuna através do Twitter
Durante dois dias governador respondeu a questionamentos formalizados por colaborador do jornal
Da Redação
Foto: Divulgação

O governador Roberto Requião (PMDB), provavelmente, deve ser o primeiro político paranaense a conceder entrevista a um veiculo de comunicação através do Twitter, uma ferramenta ainda não muito conhecida da internet, que ganhou repercussão mundial por ter sido uma das armas que ajudaram a eleger Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos.

Requião demonstra grande disposição para manter conversas com eleitores, simpatizantes ou mesmo cidadãos interessados em dirigir-lhe algum tipo de questionamento. A novidade que torna possível essa comunicação é o Twitter, um microblog que suporta mensagens curtas, de até 140 caracteres, que podem ser enviadas à página das pessoas às quais o internauta se conecta. O serviço é gratuito e não é necessário ser convidado a ingressar na rede social, como a do Orkut, por exemplo.
O articulista e colaborador da Tribuna do Vale, Homero Pavan Filho, conseguiu "entrevistar" o governador Requião pela ferramenta, que está revolucionando a comunicação entre as pessoas. Praticamente todos os políticos antenados com as novidades tecnológicas estão aderindo ao serviço, que permite o envio e recebimento de mensagens por aparelhos de telefone celular ou por computador conectado à rede. O problema é que são poucos os que se dispõem a responder às perguntas do cidadão comum.
Esse não é o caso do governador do Paraná. O "diálogo" com Requião começou quando Pavan ficou intrigado com uma frase enviada por Requião a seus seguidores (no jargão da rede é chamado de post, ou postagem), via microblog . "Como é que o ministro Paulo Bernardo (PT) quer dar palpite sobre a sucessão do Paraná sem resolver o roubo do Itaú (Governo Federal)?". Desconhecendo detalhes do caso, o colaborador despretenciosamente enviou uma pergunta (reply): "Governador, explica pra gente, o que o Governo Federal deve fazer com relação à questão do Itaú?". Para sua surpresa, as respostas ocorreram logo na sequência da conversa, que se arrastou por dois dias - 1 e 2 de janeiro.

Requião respondeu que o governo federal deveria "apenas passar para o lado do povo. Deixar de multar o Estado pelo que não deve". Questionado se para isso bastaria vontade política ou se dependeria de lei para que sua reivindicação fosse atendida, Requião assinalou que "o que fazem com o Paraná é contra a lei e protege o interesse do Itaú. Inviabiliza o Paraná", afirmou.
Enquanto respondia às perguntas do colaborador da Tribuna, o governador mandava recados sobre o tema ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo: " P B, venha conversar comigo na escola de governo e deixe de pilantragem na Gazeta. Ou não encha mais o saco. Vai trabalhar, faça algo pelo Paraná", cutucou para em seguida enviar outra provocação: "Convido o Paulo Bernardo para discutir comigo o PAC na Escola de Governo. Televisão aberta ao vivo e a cores. Pilantragem com o Paraná, não", desafiou, referindo-se a matéria publicada no jornal Gazeta do Povo. Na entrevista ao jornal, Bernardo afirmara que há mais obras em outros estados porque os governadores brigam mais e apresentam projetos para obter investimentos em infraestrutura. Uma séria acusação a Requião, que estaria sendo o responsável pela falta de recursos para o Estado. "Falta empenho do estado", disse o ministro.
Com relação ao Itaú, o governo paranaense paga mensalmente cerca de R$ 10 milhões por conta de uma multa imposta pela Secretaria do Tesouro Nacional ao Estado. A multa é ilegal e administrativa, na visão do governador. Segundo explicou, a origem do problema se deu por ocasião da privatização do Banestado, na gestão de Jaime Lerner, hoje filiado ao PSB.

Matéria publicada no site da Agência Estadual de Notícias, em 2007, informava que o presidente Luis Inácio Lula da Silva teria prometido a solução do problema. Sob o título "Lula garante a Requião que Paraná não pagará multa de títulos podres" (http://bit.ly/9W2I39), o texto explica em pormenores a questão.

Resumo do caso Itaú
Em maio de 2006, o governador Roberto Requião se reuniu em Brasília com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo, e com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, para questionar a cobrança de multa aplicada pela União contra o Paraná. No encontro, o governador informou aos ministros que o Estado está pagando multas sobre um contrato que a própria Justiça o impedia de cumprir, e entregou uma cópia da decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do pagamento dos títulos.
Em janeiro de 2007, Dilma Roussef visitou o Paraná e acertou com Requião que o Governo do Paraná deve buscar na Justiça a nulidade dos títulos. Hoje, o valor da dívida está avaliado em R$ 1 bilhão. A ministra garantiu ainda que, se houvesse algum parecer jurídico, a STN suspenderia a multa aplicada ao Paraná. Na ocasião, a STN já havia bloqueado R$ 165 milhões (que corrigidos chegam a R$ 195 milhões) como multa pelo não pagamento dos títulos.
No dia 19 de março, o ministro Guido Mantega comunicou a Requião que a STN iria suspender a cobrança da multa mensal de R$ 10 milhões, e que a União iria devolver ao Paraná R$ 100 milhões bloqueados por conta da sanção.
A seguinte pergunta foi enviada a Paulo Bernardo, via Twitter: Ministro, o senhor poderia esclarecer os motivos pelos quais o PR continua pagando a multa aplicada pela STN no caso Itaú?
Até às 19 horas de ontem (dia 2), não havia sido encaminhada resposta.


Twitter do Requião: http://twitter.com/requiaopmdb

Nota da redação: Como o twitter permite mensagens curtas, de apenas 140 caracteres, muitas palavras são abreviadas, a fim de que possam caber no espaço pré-determinado. Nesta matéria, as falas do governador foram alteradas apenas nesse aspecto, visando facilitar a compreensão por parte do leitor.

 

   
 
 
 
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